quarta-feira, 2 de abril de 2014

O Samba do Crioulo Doido


O filme "Histórias Cruzadas (The Help)" é uma gracinha de filme. E mostra o quanto é idiota acharmos que somos melhores (ou piores) do que os outros por conta da diferença de cor. 

Ou qualquer diferença. 

A história se passa nos anos 60, onde as coisas eram bem diferentes de hoje, mas mesmo assim me fez pensar no presente. E no quanto as pessoas ainda são extremamente racistas. 

E do pior jeito. 

O racismo, assim como o preconceito contra gays, gordos, feios e qualquer um fora do padrão (oi?!) é feito e incentivado de forma velada. Naquelas piadinhas e comparativos pejorativos, por exemplo. 
É triste, mas é assim.

Minha mãe é mulata. 

Isso aí: mu-la-ta. 
E linda. 
Minha neguinha do cabelo liso. 

Meu avô era negro. 
Pretinho da silva. 
Minha família é um arroz com feijão que só vendo. 
E e é maravilhosa. 

Por ela ser 50% negra, na época, o pai do meu pai, que era belga, não aceitou o casamento dos dois e sequer apareceu na igreja. Ele tinha medo que os netos fossem mulatinhos. 

E meu pai, mais branco que papel sulfite, mandou todo mundo à merda e está casado com ela há 40 anos. 

E quer saber?!
Melhor do que os 25% de negritude que herdei de mamãe, só mesmo os ensinamentos sobre igualdade, ética e valores sólidos que ela e meu pai repassaram pra mim e meu irmão. 
Tenho orgulho de fazer parte desse samba do crioulo doido que é minha família: pretos, brancos, gays, héteros, magros e gordos.
Todos diferentes e únicos! 

Assistam o filme e pensem em como estão agindo com as pessoas. Independente de como elas sejam fisicamente.


(texto de 24.01.2012 - publicado no FB)

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